02-JUL-2026
Aos 12 anos, enquanto muitos jovens da sua idade dedicam o tempo livre aos videojogos ou às redes sociais, João encontrou uma paixão que rapidamente se transformou num projeto empreendedor. Fascinado pela tecnologia da impressão 3D desde os 10 anos, o jovem estudante do 7.º ano criou a sua própria marca, denominada Random Stuff 3D, através da qual produz e comercializa diversos artigos personalizados, desde porta-chaves a peças decorativas e acessórios.A história começou de forma simples, quando João descobriu a impressão 3D através de um vídeo no YouTube. O que inicialmente despertou a sua curiosidade acabou por mudar a forma como via as suas próprias ideias.«Foi logo que comecei a ser fã da opção de criar coisas, de não ser só ter ideias, mas de ter a ideia em físico», recorda.Segundo o jovem empreendedor, a impressão 3D permitiu-lhe materializar projetos que anteriormente apenas existiam na sua imaginação.«Eu só tinha muitas ideias, mas na altura não sabia desenhar. Então, para mim, a impressão 3D foi a solução», afirma João.A impressora 3D é uma máquina que cria ideias, através de um programa ou inteligência artificial, e modela produtos físico com uma imagem.Quando completou 10 anos, João recebeu dos pais a sua primeira impressora 3D, um presente pouco convencional para uma criança da sua idade. O pedido surpreendeu a família, sobretudo porque a tecnologia ainda era pouco conhecida no seu círculo próximo.«A minha mãe não sabia o que aquilo era, ficou toda confusa, porque não estava muito convencida no início», conta.Apesar das dúvidas iniciais, os pais apoiaram a decisão e ofereceram-lhe uma impressora da linha Ender, considerada uma boa opção para iniciantes. Foi com esse equipamento que começou a explorar o universo da modelação e da fabricação digital.Com o passar do tempo, a experiência acumulada levou João a investir em equipamentos mais modernos. Atualmente possui quatro impressoras 3D, três delas de última geração.«Acabei por sentir grande diferença na parte do trabalho, porque as novas facilitam bastante. São muito mais simples de utilizar e tornam todo o processo mais rápido», disse.Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, João afirma que grande parte do seu conhecimento foi adquirido de forma autodidata, através de vídeos, tutoriais e muita experimentação.«Eu aprendi sozinho e com vídeos do YouTube, é o que muita gente faz».Nem tudo correu sempre como planeado. Uma das suas primeiras impressoras acabou por avariar durante uma tentativa de melhoria e substituição de componentes.«Tentei fazer uma experiência de trocar peças e substituir por melhores, mas houve um problema e acabou por ficar parada».Ainda assim, os contratempos nunca o fizeram desistir. Pelo contrário, serviram como oportunidade de aprendizagem e crescimento.À medida que desenvolvia as suas competências, João percebeu que poderia transformar o hobby num pequeno negócio. Foi assim que surgiu a marca “Random Stuff 3D”, cujo nome reflete a diversidade dos produtos aleatórios que produz.Entre os artigos disponíveis encontram-se porta-chaves personalizados, caixas organizadoras, brinquedos articulados, decorações, peças para automóveis, candeeiros e até réplicas inspiradas em videojogos e filmes. Fã assumido de ficção científica, João já imprimiu vários capacetes inspirados na saga Star Wars.No entanto, os produtos mais procurados pelos clientes continuam a ser os porta-chaves e os chamados fidget toys.Gerir um negócio aos 12 anos traz desafios que muitos empreendedores adultos conhecem bem: a gestão do tempo.«Fico feliz porque tenho mais dinheiro e mais liberdade para comprar coisas, mas também é difícil porque tenho muitos testes e nem sempre consigo gerir as duas coisas ao mesmo tempo», afirma.Para conseguir equilibrar os estudos e a atividade empresarial, João conta com o apoio da mãe, que ajuda a acompanhar as impressoras quando ele está na escola.«Tenho a ajuda da minha mãe, que às vezes fica a controlar as impressoras quando eu estou na escola», afirma.O entusiasmo do jovem acabou também por contagiar alguns colegas.«Já tenho três amigos que compraram máquinas», disse João.Além das encomendas realizadas através das redes sociais, João já participou em diversas iniciativas locais para divulgar o seu trabalho. Entre elas estão feiras, eventos dedicados às crianças e até vendas diretas na rua durante o verão.«Eu e um dos meus melhores amigos andávamos de trotineta a vender porta-chaves de pessoa em pessoa», disse.As suas criações podem ser encontradas através da página de Instagram da marca, onde recebe encomendas personalizadas.Apesar da pouca idade, João já pensa nos próximos passos para o crescimento da sua empresa. Um dos objetivos passa por trabalhar com materiais mais avançados, como o ABS, utilizado na produção de peças mais resistentes e de maior qualidade.«Espero que no futuro a minha empresa seja famosa e tenha mais sucesso», deseja João.Entre os seus projetos está também o aperfeiçoamento dos acabamentos das peças impressas, utilizando técnicas mais avançadas para obter superfícies lisas e profissionais.Ao olhar para o percurso que iniciou há apenas dois anos, João acredita que a perseverança foi determinante para chegar onde está hoje.«Houve uma altura em que estava para deixar a impressão 3D, mas ainda bem que não deixei esse sonho», declara.A mensagem que deixa a outros jovens é simples, mas poderosa:«Nunca deixar um sonho para trás», finaliza.Com apenas 12 anos, João já demonstra que a combinação entre criatividade, dedicação e vontade de aprender pode transformar uma simples curiosidade numa verdadeira oportunidade de negócio. A sua história é um exemplo de como as novas tecnologias estão a abrir portas para uma geração cada vez mais empreendedora, capaz de transformar ideias em realidade, camada após camada, tal como acontece numa impressora 3D.
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